DESEMPREGO EM QUEDA E SALÁRIOS EM BAIXA

 

Cumpre observar que não obstante o desemprego no Brasil está em queda (6,4%, entre julho e setembro/2024, segundo o IBGE) não se discute a qualidade dos empregos gerados, o seu valor real e outros aspectos que lhes são inerentes.

Observe-se o fato de o valor mensal da maioria desses empregos está por volta de R$ 1.600,00 a R$ 2.000,00 brutos, ainda que o rendimento habitual médio real no Brasil alcançou o pico em abril de 2024 (R$ 3.255,00), tendo recuado até R$ 3.187,00 em julho de 2024, valor 2,1% menor.

O que pouco significa em termos de renda e considerando-se a precarização gerada pela terceirização, reforma trabalhista e uma serie de modalidades de contratos de trabalho na sua imensa maioria precários grande parcela dos trabalhadores e trabalhadoras estão trabalhando, mas vivendo na maior pindaíba. Ou seja, sem dinheiro e enfrentando algum tipo de insegurança alimentar.

Com salários nessa faixa de renda entre R$ 1.600,00 e R$ 2.000,00, até em níveis de renda média mostrados acima, acabam empurrando um significativo contingente de trabalhadores/as empregados/as para atividades extras como entregadores de comida e/ou motoristas via aplicativos.

Segundo pesquisa recente dirigida pelas universidades UFABC e Unifesp, com o apoio de dois conselhos municipais, Comusan-SP e o Obsanpa, em São Paulo, a maior e a mais rica cidade do país, existem hoje 5,8 milhões de pessoas (50,5% dos moradores) sofrendo algum grau de insegurança alimentar. Por insegurança alimentar entenda-se a falta de acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente para uma vida saudável.

Ademais 1,4 milhão de pessoas (12,5% da sua população) passa fome na capital paulista. No centro dessa crise relacionada ao acesso a alimentos está o baixo rendimento salarial da população.  Até porque, segundo a pesquisa, “70% dos domicílios em situação de insegurança alimentar grave têm renda per capita de até meio salário mínimo".

O que também mostra que politicas públicas de transferência de renda como o Bolsa-Família são insuficientes para assegurar a essas pessoas uma vida com o mínimo de dignidade em uma cidade com o custo de vida em constante alta.

De acordo com Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos feita regularmente pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) junto a 17 capitais, a cidade de São Paulo  foi onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 792,47).

Ainda de acordo com cálculos feitos pelos DIEESE, em setembro de 2024, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 6.657,55 ou 4,71 vezes o mínimo de R$ 1.412,00.

Considere-se, pois, que mesmo entre as diversas categorias profissionais hoje o valor dos respectivos pisos salariais está um pouco acima senão semelhante ao valor do salário mínimo nacional.

Prof. Jose Raimundo, 01/11/2024.






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